A CONTRIBUIÇÃO DO ENSINO DE PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA OS POVOS INDÍGENAS: UMA ANÁLISE CRÍTICA

Thananda Bruna Gonçalves CUNHA, Francisco Edviges ALBUQUERQUE, Danielle Mastelari LEVORATO

Resumo


O presente estudo investiga a contribuição estratégica do ensino de Língua Portuguesa como Segunda Língua (L2) para o empoderamento e a afirmação identitária dos povos indígenas no Brasil. O estudo examina o progresso da educação escolar indígena, que se transformou de um modelo assimilacionista imposto pela colonização para um paradigma de resistência e direitos garantido pela Constituição de 1988, a qual demanda uma abordagem intercultural e bilíngue. O principal desafio é entender como a L2, ao ser ensinada em relação à língua materna (L1), funciona como instrumento para promover a cidadania e defender os direitos indígenas. O objetivo geral é analisar como o ensino de português como L2 pode se configurar como uma ferramenta estratégica para a autonomia e o fortalecimento cultural. A fundamentação teórica apoia-se no Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI) e em autores como Franchetto (1994) e Piano (2014), que discutem a educação bilíngue, a centralidade da L1 e o papel político da L2. A pesquisa adota uma metodologia teórica e bibliográfica, assentada na análise do percurso histórico e das propostas pedagógicas. Os resultados indicam que o domínio da L2 é fundamental para o acesso a serviços, compreensão de leis e promoção do "bem viver". No entanto, sua implementação enfrenta obstáculos estruturais, como a falta de professores indígenas e o risco de desaparecimento linguístico nos últimos anos. Isso reforça a importância de uma pedagogia crítica e intercultural que assegure a centralidade da L1.

Palavras-chave: Educação Escolar Indígena. Língua Portuguesa como L2. Bilinguismo. Empoderamento. Afirmação Identitária.


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Referências


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