ESTRESSE COMO FATOR DE RISCO CARDIOVASCULAR EM PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO DE ARAGUAÍNA – T
Resumo
O estresse ocupacional tem sido apontado como um dos determinantes psicossociais mais relevantes no processo de adoecimento de trabalhadores, com potencial influência sobre o sistema cardiovascular. Professores do ensino médio de escolas públicas constituem grupo particularmente vulnerável, dado o conjunto de exigências físicas, emocionais e administrativas inerentes à função. Este estudo teve por objetivo estimar a prevalência de estresse laboral elevado entre professores do ensino médio de Araguaína-TO e verificar sua associação com indicadores antropométricos de risco cardiovascular. Trata-se de pesquisa observacional, transversal e quantitativa, realizada em sete escolas públicas do município ao longo do segundo semestre de 2024, com 76 docentes. O estresse foi avaliado pelo Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). Foram aferidos pressão arterial, Índice de Massa Corporal (IMC) e Relação Cintura-Quadril (RCQ). A análise estatística empregou regressão de Poisson com variância robusta. Os resultados revelaram elevada prevalência de sobrepeso e obesidade (52,7%) e valores de RCQ indicativos de risco cardiovascular aumentado em 42,1% dos participantes. A análise multivariada não identificou associação estatisticamente significativa entre estresse ocupacional e IMC elevado (RP=1,35; IC95%: 0,54–3,39; p=0,52) ou RCQ elevada (RP=1,03; IC95%: 0,74–1,43; p=0,86). Em contrapartida, sexo masculino e faixa etária mais avançada mostraram associação significativa com ambos os desfechos. Conclui-se que, embora não tenha sido possível confirmar a associação direta investigada, os professores analisados apresentam perfil de saúde preocupante, com prevalência expressiva de fatores de risco cardiovascular, o que demanda atenção das políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador docente.
Palavras-chave: Estresse Psicológico. Docentes. Doenças Cardiovasculares. Fatores de Risco Cardiovascular. Saúde do Trabalhador
Texto completo:
PDFReferências
BARROSO, Weimar Kunz Sebba et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 116, n. 3, p. 516-658, mar. 2021. DOI: 10.36660/abc.20201238. Disponível em:
https://abccardiol.org/en/article/brazilian-guidelines-of-hypertension-2020/. Acesso em: 13 fev. 2023.
HULLEY, Stephen B. et al. Delineando a pesquisa clínica: uma abordagem epidemiológica. Tradução de Michael Schmidt Duncan e André Garcia Islabão. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 386 p.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: resultados do universo – características da população e dos domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/to/araguaina.html. Acesso em: 13 fev. 2023.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Censo Escolar da Educação Básica 2023: notas estatísticas. Brasília, DF: Inep, 2023. Disponível em:
https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/notas_estatisticas_censo_da_educacao_basica_2023.pdf. Acesso em: 13 fev. 2023.
MANSUR, Antonio de Padua; FAVARATO, Desiderio. Taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer na população brasileira com idade entre 35 e 74 anos, 1996-2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 117, n. 2, p. 329-340, ago.
DOI: 10.36660/abc.20200233. Disponível em:
https://abccardiol.org/article/taxas-de-mortalidade-por-doencas-cardiovasculares-e-cancer-na-populacao-brasileira-com-idade-entre-35-e-74-anos-1996-2017/. Acesso em: 23 fev. 2023.
Apontamentos
- Não há apontamentos.
JNT - Facit Business and Technology Journal
ISSN 2526-4281