A FRAGILIDADE DO SER E O SILÊNCIO DAS MARGENS: UMA LEITURA EXISTENCIAL DE A HORA DA ESTRELA
Resumo
O presente artigo propõe uma leitura existencial do romance A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, analisando a construção da personagem Macabéa como representação da fragilidade humana, da invisibilidade social e do silenciamento das margens na sociedade brasileira. O objetivo da pesquisa consiste em compreender de que maneira a narrativa clariceana evidencia questões relacionadas à existência, à solidão, à precariedade subjetiva e à ausência de pertencimento social da protagonista. A investigação desenvolve-se por meio de uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e interpretativista, fundamentada nos estudos da crítica literária, da filosofia existencialista e das discussões acerca da marginalização social na literatura brasileira contemporânea. O percurso metodológico baseia-se na análise textual do romance, articulando elementos narrativos, simbólicos e discursivos que revelam o vazio existencial vivido por Macabéa. Os resultados apontam que a obra transcende a simples denúncia social, configurando-se como uma profunda reflexão sobre a condição humana, o silêncio das identidades invisibilizadas e a incapacidade de comunicação em uma sociedade marcada pela exclusão e pela indiferença. Conclui-se que Clarice Lispector constrói uma narrativa de forte densidade existencial, em que a protagonista simboliza sujeitos historicamente marginalizados e destituídos de voz social.
Palavras-chave: Existencialismo. Marginalização. Silêncio. Identidade. Literatura brasileira.
Texto completo:
PDFReferências
CAMUS, Albert. O estrangeiro. Rio de Janeiro: Record, 2019.
CANDIDO, Antonio. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 2011.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2016.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Petrópolis: Vozes, 2014.
Apontamentos
- Não há apontamentos.
JNT - Facit Business and Technology Journal
ISSN 2526-4281