DESCOLONIZAÇÃO DO SABER COMO MOVIMENTO POLÍTICO-EPISTÊMICO: UMA REVISÃO CRÍTICA SOBRE HEGEMONIA OCIDENTAL, RESISTÊNCIA E VALORIZAÇÃO DOS SABERES TRADICIONAIS NO BRASIL INDÍGENA DO SÉCULO XXI

Ana Ydelplynya Guimarães AMARO, Severina Alves de ALMEIDA

Resumo


Este artigo analisa a descolonização do saber como movimento político-epistêmico no Brasil indígena do século XXI, examinando as relações entre hegemonia ocidental, colonialidade, resistência e valorização dos saberes tradicionais. Trata-se de revisão crítica, bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, orientada por leitura hermenêutico-dialética e por uma perspectiva decolonial. O corpus teórico articula autores clássicos da crítica anticolonial e da colonialidade, entre eles Frantz Fanon, Paulo Freire, Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Catherine Walsh e Boaventura de Sousa Santos, a intelectuais indígenas como Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Gersem Baniwa, Daniel Munduruku e Célia Xakriabá. A análise mostra que a hegemonia ocidental não opera apenas pela exclusão de conteúdos, mas pela definição institucional de quem pode conhecer, quais métodos são legítimos e quais relações entre território, espiritualidade, memória e vida podem ser reconhecidas como conhecimento. No Brasil contemporâneo, movimentos indígenas, escolas diferenciadas, retomadas territoriais, produção literária, presença universitária e autoria intelectual constituem práticas de resistência e desobediência epistêmica. Entretanto, a simples inclusão de temas indígenas em currículos não rompe, por si só, a colonialidade, podendo converter conhecimentos vivos em objetos descontextualizados. Conclui-se que a descolonização do saber exige redistribuição de autoridade epistêmica, proteção territorial, fortalecimento das línguas, participação comunitária e relações interculturais não hierárquicas. A valorização dos saberes tradicionais deve reconhecer povos indígenas como sujeitos coletivos produtores de teorias, métodos e projetos de futuro.

Palavras-chave: Descolonização do saber. Colonialidade. Povos indígenas. Desobediência epistêmica. Saberes tradicionais.


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Referências


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