SOCIOLINGUÍSTICA QUALITATIVA, EDUCAÇÃO INTERCULTURAL, ENSINO E DECOLONIALIDADE: UMA REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA
Resumo
Este artigo discute e analisa as interfaces entre sociolinguística qualitativa e educacional, interculturalidade e ensino no âmbito da decolonialidade. O intuito é compreender como essas tradições teóricas, quando articuladas, podem sustentar práticas educativas capazes de reconhecer repertórios plurais sem reduzir as diferenças a manifestações culturais superficiais, nem reproduzir hierarquias linguísticas, raciais e epistêmicas. Nesse sentido, realizamos uma revisão crítica da literatura, de natureza qualitativa, interpretativa e interdisciplinar. O corpus teórico foi constituído por livros, capítulos e artigos seminais e contemporâneos, localizados mediante combinações dos descritores do estudo em português, espanhol e inglês. A análise foi organizada por leitura exploratória, seleção por pertinência, fichamento, codificação temática, comparação de argumentos e síntese crítico-interpretativa. Os resultados indicam que a variação linguística não pode ser reduzida à suposta inadequação escolar. Antes, constitui prática social indexada por relações de identidade e poder. Demonstram, ainda, que a interculturalidade somente adquire potencial transformador quando ultrapassa a celebração abstrata da diversidade e enfrenta assimetrias históricas. A perspectiva decolonial amplia essa crítica ao revelar como a escola e o currículo legitimam determinadas línguas, normas e epistemologias enquanto inferiorizam outras. Conclui-se que uma educação linguística intercultural e decolonial requer pedagogias sensíveis aos repertórios, formação docente crítica, participação das comunidades, materiais contextualizados e avaliação não discriminatória. Todavia, a convergência dos campos não elimina suas diferenças conceituais, mas oferece um quadro analítico forte para compreender a sala de aula como espaço de disputa, negociação e produção de conhecimentos.
Palavras-chave: Sociolinguística educacional. Educação intercultural. Diversidade linguística. Decolonialidade. Formação docente.
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PDFReferências
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