OCORRÊNCIA DE AFLATOXINA B1 EM TEMPEROS E ESPECIARIAS DESTINADOS AO CONSUMO HUMANO E FATORES PÓS-COLHEITA ASSOCIADOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Resumo
A aflatoxina B1 (AFB1) constitui uma micotoxina de relevância para a segurança dos alimentos, podendo ocorrer em temperos e especiarias em decorrência de condições favoráveis à contaminação fúngica ao longo da cadeia produtiva. Este estudo teve como objetivo analisar sistematicamente a ocorrência de AFB1 em temperos e especiarias destinados ao consumo humano e os fatores pós-colheita associados à sua presença e aos níveis de contaminação. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura, orientada pelas recomendações do PRISMA 2020, com pergunta de pesquisa estruturada segundo a estratégia PEO (Population, Exposure and Outcome). Foram considerados estudos originais que apresentaram dados de ocorrência ou quantificação de AFB1 em temperos e especiarias destinados ao consumo humano, incluindo informações sobre condições pós-colheita quando disponíveis. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade e a auditoria dos dados extraídos, 36 estudos compuseram o conjunto analítico. Os produtos derivados de Capsicum, especialmente chilli, pimenta-vermelha e páprica, constituíram as matrizes mais frequentemente investigadas, seguidos por pimentas preta e branca, cominho, gengibre, canela e cúrcuma. Entre os estudos que apresentaram frequência de detecção individualizada e utilizável para AFB1, os valores variaram aproximadamente de 2% a 100%, enquanto as concentrações máximas reportadas variaram de 3,865 a 969 µg/kg, evidenciando ampla heterogeneidade entre matrizes, países e condições de comercialização. Os principais fatores pós-colheita relacionados à contaminação envolveram condições de secagem e processamento, contato do produto com o solo, armazenamento, umidade e atividade de água, além das formas de acondicionamento e comercialização. Em alguns estudos, essas relações foram predominantemente descritivas, enquanto outros apresentaram associações estatísticas ou avaliações experimentais. Conclui-se que a ocorrência de AFB1 em temperos e especiarias apresenta elevada variabilidade e que o controle das condições pós-colheita constitui componente relevante para reduzir o risco de contaminação, destacando-se a necessidade de boas práticas de secagem, armazenamento, processamento e acondicionamento ao longo da cadeia produtiva.
Palavras-chave: Aflatoxina B1. Micotoxinas. Especiarias. Pós-colheita. Segurança dos alimentos.
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PDFReferências
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