EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS: POLÍTICAS INCLUSIVAS, PRÁTICAS ESCOLARES E DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO
Resumo
A educação bilíngue de surdos tem se consolidado no Brasil como uma proposta que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e a língua portuguesa, na modalidade escrita, como segunda língua. Tal perspectiva representa um deslocamento em relação a modelos clínico-reabilitadores historicamente predominantes na educação de surdos. Este artigo tem como objetivo analisar criticamente a educação bilíngue de surdos no contexto brasileiro, considerando seus fundamentos teóricos, marcos legais e desafios de implementação nas práticas escolares. Trata-se de um estudo de natureza teórico-analítica e documental, baseado em literatura especializada e em documentos normativos que orientam a política educacional para surdos no país. Os resultados indicam que, embora haja avanços no reconhecimento linguístico e nos direitos educacionais, persistem tensões entre a proposta bilíngue e práticas escolares ainda orientadas por lógicas inclusivas generalistas, nem sempre sensíveis às especificidades linguísticas e culturais da comunidade surda. Conclui-se que a consolidação da educação bilíngue de surdos demanda investimentos na formação docente, no fortalecimento de ambientes linguísticos em Libras e na revisão de concepções pedagógicas que ainda subordinam a língua de sinais à centralidade do português.
Palavras-chave: Educação de surdos. Educação bilíngue. Libras. Políticas educacionais. Inclusão.
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PDFReferências
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ISSN 2526-4281