A SECURA DAS PALAVRAS E A FOME DO MUNDO: A ESTÉTICA DA CRUELDADE EM GRACILIANO RAMOS
Resumo
O presente artigo insere-se no campo dos estudos literários, com enfoque na análise estética e crítica da obra de Graciliano Ramos, especialmente no que se refere à construção da chamada “estética da crueldade”. Partindo do contexto histórico e social do Brasil nas primeiras décadas do século XX, marcado por desigualdades, miséria e exclusão, o estudo busca compreender como a linguagem seca, objetiva e econômica do autor revela, de forma contundente, a dureza da realidade social nordestina. O objetivo central consiste em analisar de que maneira a secura das palavras em Graciliano Ramos funciona como recurso estético e político, evidenciando a fome, a opressão e a desumanização dos sujeitos retratados. A pesquisa é de natureza qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, adotando abordagem interpretativa baseada em análise bibliográfica de obras do autor e de críticos literários. Os resultados indicam que a economia linguística não representa apenas uma escolha estilística, mas um instrumento de denúncia social, que intensifica a experiência do leitor diante da brutalidade da realidade narrada. Conclui-se que a estética da crueldade em Graciliano Ramos articula forma e conteúdo de maneira indissociável, contribuindo para a construção de uma literatura crítica, engajada e profundamente humana.
Palavras-chave: Estética. Crueldade. Linguagem. Fome. Graciliano.
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PDFReferências
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ISSN 2526-4281