BACHARELISMO, CONTROLE ESTATAL E CRISE ESTRUTURAL: A TRAJETÓRIA IDEOLÓGICA DO ENSINO JURÍDICO BRASILEIRO (1827–2021)1

Mariano Henrique Maurício de CAMPOS, Thaísa Haber FALEIROS

Resumo


O artigo analisa criticamente a trajetória histórico-legislativa do ensino jurídico brasileiro, da Lei de 11 de agosto de 1827 às Diretrizes Curriculares Nacionais vigentes, com o objetivo de demonstrar que a chamada crise do ensino jurídico expressa contradições estruturais entre a função ideológica historicamente desempenhada pelas faculdades de Direito e os objetivos emancipatórios proclamados em seus documentos oficiais. Adota-se, como procedimento metodológico, a revisão bibliográfica de caráter analítico-documental, articulada à leitura crítica da legislação educacional sobre os cursos jurídicos. O referencial teórico mobiliza estudos clássicos sobre a educação jurídica brasileira, em especial as obras de Sérgio Adorno, Alberto Venâncio Filho, Aurélio Wander Bastos e Horácio Wanderlei Rodrigues, articulados a leituras sociológicas e historiográficas mais amplas, como as de Roberto Schwarz, Florestan Fernandes e Antonio Carlos Wolkmer. A análise demonstra que os cursos jurídicos cumpriram, desde sua criação, dupla função, ideológica e operacional, voltada à formação de uma elite política e administrativa comprometida com a manutenção da ordem social vigente. Conclui-se que a sucessão de reformas curriculares, longe de superar a crise, expressa o padrão de acomodação que caracteriza a transformação do ensino jurídico brasileiro, no qual a burocracia acadêmica opera como aparato de resistência ideológica. 

Palavras-chave: Educação jurídica. Bacharelismo. Ideologia.


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Referências


ADORNO, Sérgio. Os aprendizes do poder: o bacharelismo liberal na política brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

ALVES, Roberto Barbosa. Ensino jurídico em colapso. Revista da Faculdade de Direito UFMG, Belo Horizonte, n. 80, p. 133-149, jan./jun. 2022.

BASTOS, Aurélio Wander. O ensino jurídico no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2019.

FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. 5. ed. São Paulo: Globo, 2006.

RODRIGUES, Horácio Wanderlei. A crise do ensino jurídico de graduação no Brasil contemporâneo: indo além do senso comum. 1992. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1992.


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