SOCIOLINGUÍSTICA QUALITATIVA E LETRAMENTO INDÍGENA: ABORDAGENS CRÍTICAS NA PERSPECTIVA DA DECOLONIALIDADE
Resumo
As relações entre sociolinguística qualitativa, letramento indígena e decolonialidade, podem ser avaliadas no âmbito da etnossociolinguística, construto epistemológico que considera língua, linguagem e letramento como práticas sociais, históricas, culturais e políticas. Partimos do entendimento de que as comunidades indígenas possuem sistemas próprios de produção, circulação e transmissão de conhecimentos, os quais se manifestam na oralidade, na escrita, na memória coletiva, nas narrativas tradicionais, nos cantos, nos rituais, nas práticas territoriais e nas interações inter e transculturais. Nesse sentido, apresentamos os resultados de uma pesquisa teórica que tem como objetivo analisar as contribuições da sociolinguística qualitativa e dos estudos do letramento para a construção de abordagens educacionais críticas, interculturais e decoloniais em contextos indígenas. Metodologicamente, realizamos uma pesquisa qualitativa, bibliográfica, exploratória e interpretativa, mediante revisão narrativa da literatura, organizada pelos descritores: língua; linguagem; sociedade; sociolinguística; sociolinguística qualitativa; sociolinguística educacional; letramento; letramento indígena; etnossociolinguística; colonial, decolonial e decolonialidade. O referencial teórico reúne autores clássicos e contemporâneos, por exemplo, William Labov, Dell Hymes, Louis-Jean Calvet, Stella Maris Bortoni-Ricardo, Marcos Bagno, Brian Street, Magda Soares, Paulo Freire, Aníbal Quijano, Catherine Walsh, Walter Mignolo, Rosineide Magalhães de Sousa, Severina Alves de Almeida Sissi e Francisco Edviges Albuquerque. Os resultados da revisão evidenciam que o letramento indígena não pode ser reduzido ao domínio técnico da escrita alfabética nem à assimilação do modelo escolar ocidental. Trata-se de um conjunto plural de práticas socioculturais, situado nos territórios e articulado às línguas, identidades, epistemologias e formas indígenas de existência. Concluímos compreendendo que uma educação linguística decolonial deve reconhecer os indígenas como produtores de conhecimentos, promover a valorização das línguas originárias e construir currículos bilíngues e interculturais mediante participação efetiva das comunidades.
Palavras-chave: Sociolinguística Qualitativa. Letramento indígena. Etnossociolinguística. Educação intercultural. Decolonialidade.
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PDFReferências
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