SOCIOLINGUÍSTICA QUALITATIVA E LETRAMENTO INDÍGENA: ABORDAGENS CRÍTICAS NA PERSPECTIVA DA DECOLONIALIDADE

Severina Alves de ALMEIDA, Rosineide Magalhães de SOUSA Magalhães de SOUSA, Francisco Edviges ALBUQUERQUE, Danielle Mastelari LEVORATO

Resumo


As relações entre sociolinguística qualitativa, letramento indígena e decolonialidade, podem ser avaliadas no âmbito da etnossociolinguística, construto epistemológico que considera língua, linguagem e letramento como práticas sociais, históricas, culturais e políticas. Partimos do entendimento de que as comunidades indígenas possuem sistemas próprios de produção, circulação e transmissão de conhecimentos, os quais se manifestam na oralidade, na escrita, na memória coletiva, nas narrativas tradicionais, nos cantos, nos rituais, nas práticas territoriais e nas interações inter e transculturais. Nesse sentido, apresentamos os resultados de uma pesquisa teórica que tem como objetivo analisar as contribuições da sociolinguística qualitativa e dos estudos do letramento para a construção de abordagens educacionais críticas, interculturais e decoloniais em contextos indígenas. Metodologicamente, realizamos uma pesquisa qualitativa, bibliográfica, exploratória e interpretativa, mediante revisão narrativa da literatura, organizada pelos descritores: língua; linguagem; sociedade; sociolinguística; sociolinguística qualitativa; sociolinguística educacional; letramento; letramento indígena; etnossociolinguística; colonial, decolonial e decolonialidade. O referencial teórico reúne autores clássicos e contemporâneos, por exemplo, William Labov, Dell Hymes, Louis-Jean Calvet, Stella Maris Bortoni-Ricardo, Marcos Bagno, Brian Street, Magda Soares, Paulo Freire, Aníbal Quijano, Catherine Walsh, Walter Mignolo, Rosineide Magalhães de Sousa, Severina Alves de Almeida Sissi e Francisco Edviges Albuquerque. Os resultados da revisão evidenciam que o letramento indígena não pode ser reduzido ao domínio técnico da escrita alfabética nem à assimilação do modelo escolar ocidental. Trata-se de um conjunto plural de práticas socioculturais, situado nos territórios e articulado às línguas, identidades, epistemologias e formas indígenas de existência. Concluímos compreendendo que uma educação linguística decolonial deve reconhecer os indígenas como produtores de conhecimentos, promover a valorização das línguas originárias e construir currículos bilíngues e interculturais mediante participação efetiva das comunidades.

Palavras-chave: Sociolinguística Qualitativa. Letramento indígena. Etnossociolinguística. Educação intercultural. Decolonialidade.


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Referências


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