NUTRICÍDIO ENTRE O POVO KARAJÁ DO NORTE (KARAJÁ XAMBIOÁ): COLONIALIDADE ALIMENTAR, GENOCÍDIO CULTURAL ALIMENTAR E REPERCUSSÕES NO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO INDÍGENA

Walter VIANA, Jocirley de OLIVEIRA

Resumo


As mudanças nos sistemas alimentares dos povos indígenas brasileiros têm intensificado o consumo de alimentos ultraprocessados e contribuído para alterações significativas nas condições de saúde e na preservação dos modos tradicionais de vida. Este estudo teve como objetivo analisar o nutricídio entre o povo Karajá do Norte (Karajá Xambioá), discutindo sua relação com a colonialidade alimentar, o genocídio cultural alimentar e as repercussões no perfil epidemiológico indígena. Trata-se de uma pesquisa de natureza básica, abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão narrativa da literatura e análise documental, fundamentada em produções científicas, documentos oficiais e marcos legais relacionados à saúde indígena, à alimentação e aos direitos dos povos originários. A literatura analisada evidenciou que a progressiva substituição da alimentação tradicional por produtos ultraprocessados promoveu a redução da diversidade alimentar, o enfraquecimento dos conhecimentos alimentares ancestrais, a perda da soberania alimentar e a crescente dependência de alimentos industrializados. Esse processo foi associado ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis, à persistência de agravos nutricionais e à alteração do perfil epidemiológico indígena, configurando o nutricídio como expressão da colonialidade alimentar e da desestruturação dos sistemas alimentares tradicionais. O enfrentamento desse fenômeno requer políticas públicas interculturais que fortaleçam a soberania alimentar, valorizem os saberes tradicionais e promovam práticas integrais de atenção à saúde indígena.

Palavras-chave: Nutricídio. Povos indígenas. Karajá Xambioá. Colonialidade alimentar. Soberania alimentar.


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